sexta-feira, 27 de maio de 2011

Embora



Em silêncio
subitamente desgostoso
eu espio
5 minutos que irão sumir
após todas essas noites
e obrigo meus neurônios
concentrarem no quadro-a-quadro
de suas pernas semi-abertas
mal esticadas pela cama
seu cansaço sincero
sua beleza
amarrotada entre os lençóis
tentando apreender de nós
quem somos
porque o desejo
mais que o tempo
é de estarmos nós

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A mão-dição



Mortalmente tudo se integra:
vícios, virtudes, valores,
e uma alma pura e cheia de cores,
mesmo lavada, se mancha de negra

Nessa construção ditada à tinta
revelando a linha por linha o tempo
em que o não apagar explica
o resultado de cada intento

A sina das mãos divinas segue
sentenciando vidas e mortes
rabiscando cada elemento

ignorando que o homem negue
impecável, sem saltos ou cortes
para alegria ou para lamento

Imagem: www.happyloverstown.eu

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sabe as palavras...




S.A. B aspas:
lavras, estas,
conque nos
ex-crê-vemos?

Estas mesmas.
Tão palavras
tantas, tontas

Elas formam uma imagem
uma realidade
na cabeça de cada um

Hoje as palavras abundam
e colocamos
na bunda
de
cada uma delas

Falamos sem saber
o que cada cabeça
e cada sentença
representarão
por quê?

Porque cada palavra
ainda que sábia
não significa nada
que o dicionário diz.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Nós desfeitos: a eterna dúvida



Pra que ceder ao vício
de estar em tal estado?

Por que se arriscar
a ser talvez ferido?

Por que querer sentir
o que não há sentido?

Por que esquecer de si
se deste si há de ter dó?

Por que estar feliz
se no futuro, há risco?

Por que abdicar do orgulho
de ser único e ser duplo?

Por que saber-se junto
mesmo estando só?

Por que sem querer
se quer tudo agora?

Por que eu?
Por que você?

Por que não nós?