quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Bach estava certo



I

Nessa vida toda boa
everything is good, so far
raízes me deixam imóvel
plantado a um móvel, meu sofá
é sina de domingo
que pede cachimbo (ou seria pé de cachimbo?)
mas o cachimbo não é de ouro,
e o touro, chama-se lente
das câmeras, CDs players, máquinas fotográficas,
que batem na gente, 
e em mim, na lente dos meus olhos e ouvidos
e lá vem o buraco, ao estilo Alice,
apimentado por Jefferson's Airplane,
em trocar o dever
pela toca de prazer
rodeado por música, amigos, TV,
adolescente irresponsável
meia hora, uma hora, dezenas de ampulhetas
em exercício temerário
e o sol se pôs denovo
e o gato furioso
grita: aonde você quer chegar?
na verdade querer eu não quero
mas eu sei bem aonde vou,
conheço bem esse lugar.
É uma zona de conflito
tal qual Israel e Egito,
se voltassem a brigar.

II

Meu id que é super
e o  superego é idiota (tal qual o coelho)
produzindo em vão
um remorso de tempo e cadeira
ao levando ao frio o chá, na geladeira,
deixando o filho de um cristão
aflito e anisoso, motivo de chacota.
E o ego maldito,
perdido
aceitando cada nota
cantada a plenos pulmões
em nome do viver da vida
tentando curar a ferida
e desviando sua rota
aos sentidos falastrões
do que toco, ouço, degusto, cheiro, e vejo
numa dança pseudo-divina
até que escorra endorfina
desse nariz viciado em desejo.

III

E lá  o sol se vai
e sem dó (sustenido menor) a lua vem
em si a noite cai
e em mi caio também
exausto em minha luta
ao compor sem papel
ao reger sem batuta
à repetitiva inspiração de um Ravel
minha eterna toccata e fuga.

Video: Interpretado por Valentina Lisitsa (estudo no. 12 op. 25 de Chopin)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Passatempo poético




Formas de nuvens no céu
passatempo predileto

Edifícios arranhando o céu
e a gente se arrastando, lenta

Passa o tempo arranhando a gente
passa o céu arrastando a nuvem

As formas dos edifícios, lentas
passatempo predilento

Imagem: http://www.mesarchitecture.org

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Puta falta

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Ter-te, como meta
um dia ainda me mata

Saudade de quem se apega
de um só toque que não se apaga

Da noite que de concreta
só vale pra quem contrata

E um sono que não pega
levando em conta o que não paga

Esperar-te me resseca
desejar-te me ressaca

Imagem: Jerry Hsu

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Desejo de amnésia



Esqueça seu passado
e beba mais um trago
da alma do seu amado

Imagem: Editorial - “Dash” | The Fashionisto

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Nerdomania



Ao deixar de lado teus óculos,
saboreio teu ensejo
com as papilas dos meus olhos,
gustativas de desejo