quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cabra cega


Somos cegos
de coração
somo de tal forma cegos
que vivemos olhando pro chão
o chão do próprio ego
Vale viver pra curar a cegueira?
Vale morrer por qualquer certeza?
Fulano diz que sim
Cicrano diz que não
Alguém nesse mundo de ninguéns
tem alguma noção?
Jesus, dizem uns
Buda, Maomé...!
O político, o médico, o ancião...
Não.
Os primeiros até ajudam
mas "vivem" em confusão
se fosse pra mudar o mundo
e eles tivessem razão
o mundo seria outro
sem guerra, conflito, aflição.
Afinal não dá pra engolir
dois mil anos a fio,
de tanta interpretação.
Ficamos nas mãos dos segundos
que não duram mais que cem.
E quem diz que a vontade desses
é a minha vontade também?
Confio nos taxistas
que sabem bem pra onde vão
se não me levarem aonde eu quero
eu que não pago, não!
Mas estes não decidem por mim
quanto mais para a nação
pior: artistas, pessoas letradas
gente do alto escalão
aceitaram por desgraça
o governo de um peão!
Por duas vezes, e agora
que já esquecemos
mais uma se sucederá
com a corja do mensalão!
Somos cegos, repito,
mas somos apaixonados
basta uma idéia, ou um apito,
e logo ficamos vidrados!
Não há provas que nos ajudem
não há notícias que nos mudem,
porque escolhido um ponto de vista
seguimos sem freio na pista
defendendo com emoção
e o resto é conspiração.
Esquecemos as regras, a lei,
vale tudo pelo partido
vale tudo pelo povão
depois enfrentamos enchentes
hospitais cheios de gente
pessoas às pencas sem dentes
mas com televisão. (digital!)
A justificativa: vem de outros carnavais,
mas vivemos sob a bandeira
de um futuro brilhante e feliz,
de passar pela eira e beira
como a lingua do safado diz,
e da esperança que ela nos traz.
Mas qual é o plano?
Como será cada mês
para os próximos 20 anos?
Isso ninguém fez!
Porque hoje eu ganho o salário,
virei classe média
to de roupa nova e carrão
o plano que vá à merda!
Tudo bem se meu filho na escola
não recebe educação,
ele passa de ano...
todos passarão,
analfabeto meu filho não fica!
As estatísticas não são em vão!
Somos um povo alfabetizado!
De letra, respeito e etiqueta!
Exemplo de civilização!
Se tudo mais der errado
alguém vai nos salvar.
Eles sempre nos salvarão,
somos massa de manobra
chovemos conforme a estação,
vivemos aos trancos, no barranco,
dia sim, dia não
e se desabar, pobre de nós,
a culpa sempre vai ser
daquele rico cidadão,
dominador, impiedoso, imperialista,
que ignora a nossa necessidade,
porque sempre poderemos pôr
a culpa na sociedade!
E vamos seguir cantando
a roda da cegueira
eu culpo vc, vc me culpa,
até nos vermos na peneira
e sermos jogados fora
afinal,
a vida é uma brincadeira.

Imagem: Ronit Baranga

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Alma de mendigo

















Sob o olhar dos dias curtos
Passam pedestres sentimentos
No frio, no clima bruto
Se arrastam isentos
Rostos cravados de memórias
Almas sulcadas de perdas e vitórias
Passa o tempo

Deixa o porto frio e navega
Mais um desejo sincero
Outra proposta que nega
Dando lugar ao desespero
Solidão servida em taça
Tragada ardente de cachaça
Deixa o medo

Congelado pelo frio
Na rua olhares o abandonam
Tornando concreto o vazio
E chance de voltar não mencionam
Mas sob esse desamparo estelar
Insiste o mendigo em dançar
Eles amam

Imagem: Jon Fox

domingo, 9 de janeiro de 2011

Ausência internética

Sem post essa semana:

- resfriado
- sem dormir
- sem net
- sem tempo

próxima semana, prometo.