terça-feira, 23 de agosto de 2011

Desencontro

Oh meu blog, querido, que falta você me faz...

Desencontrei-me de você, espero encontrá-lo em breve novamente.

Saudade de sentimentos líricos.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Babilônia

jaume-plensa2

Vivemos uma
montanha russa:
eu português
vc grega

Imagem: Jaume Plensa

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Por que o poeta atravessou a rua?



Não passavam carros

O sinal está vermelho
Parei

O sinal está vermelho
olhei a rua

Não vi nenhum sinal
Atravessei

sexta-feira, 8 de julho de 2011

De que valeu?



O dia que tudo acabar
não ligue, nem avise
deixe estar
e quarto vazio
que eu nem ligarei
ou desligarei

Nesse dia, de uma só noite
em que não houver
cantar de pássaros
vento fresco
ou chuva quente
me esqueça

Deixe a água
afogar a mágoa
deixe a seca
sufocar à sede
deixe a guerra
enterrar a terra

Se um dia
tudo acabar
quero ser ignorante
ou emburrecer
em um instante
e ainda burro
ignorar

Imagem: Andreco

sábado, 2 de julho de 2011

Enquanto



...
Tiro os sapatos
debruço sobre
sua sonolência
como os coqueiros
sobre a praia
estendendo envolvida
pelo mar
mas do mar
só quero calmaria
ou seus braços
e as ondas, de calor
que amam e rejeitam
num carinho manso
lapidando todas
as superfícies
duras
que de coral são
...

domingo, 12 de junho de 2011

É bobo



Ontem te vi na varanda
preguiçosa na rede
bolei um poeminha
pra chamar tua atenção
Mas se tu gostaste
como disseste
do poema
por que me deste um bolo?
Então bolei outro poeminha
sobre aquele triste dia
que tu me embolaste
mas não te enviei
pois bolar poema
a quem dá bolo
de amor
me dá fome
e hoje um bolo
comerei

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cuide-se



Em minha ausência
esteja alerta
esteja aberta
a qualquer nova
experiência

Mande carta
mande foto
ou se esconda
em penitência

Vire louca
fique rouca
gritando as minhas
indecências

Fique fria
ou vazia
em agonia
e se mate
de carência!

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Embora



Em silêncio
subitamente desgostoso
eu espio
5 minutos que irão sumir
após todas essas noites
e obrigo meus neurônios
concentrarem no quadro-a-quadro
de suas pernas semi-abertas
mal esticadas pela cama
seu cansaço sincero
sua beleza
amarrotada entre os lençóis
tentando apreender de nós
quem somos
porque o desejo
mais que o tempo
é de estarmos nós

sexta-feira, 20 de maio de 2011

A mão-dição



Mortalmente tudo se integra:
vícios, virtudes, valores,
e uma alma pura e cheia de cores,
mesmo lavada, se mancha de negra

Nessa construção ditada à tinta
revelando a linha por linha o tempo
em que o não apagar explica
o resultado de cada intento

A sina das mãos divinas segue
sentenciando vidas e mortes
rabiscando cada elemento

ignorando que o homem negue
impecável, sem saltos ou cortes
para alegria ou para lamento

Imagem: www.happyloverstown.eu

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Sabe as palavras...




S.A. B aspas:
lavras, estas,
conque nos
ex-crê-vemos?

Estas mesmas.
Tão palavras
tantas, tontas

Elas formam uma imagem
uma realidade
na cabeça de cada um

Hoje as palavras abundam
e colocamos
na bunda
de
cada uma delas

Falamos sem saber
o que cada cabeça
e cada sentença
representarão
por quê?

Porque cada palavra
ainda que sábia
não significa nada
que o dicionário diz.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Nós desfeitos: a eterna dúvida



Pra que ceder ao vício
de estar em tal estado?

Por que se arriscar
a ser talvez ferido?

Por que querer sentir
o que não há sentido?

Por que esquecer de si
se deste si há de ter dó?

Por que estar feliz
se no futuro, há risco?

Por que abdicar do orgulho
de ser único e ser duplo?

Por que saber-se junto
mesmo estando só?

Por que sem querer
se quer tudo agora?

Por que eu?
Por que você?

Por que não nós?

sexta-feira, 29 de abril de 2011

DR


Ontem lavamos a roupa suja
pus sabão, tu puseste água
batemos e esfregamos
tanta força em mantê-las limpas
teu cheiro se foi com a água
vestimos a alma lavada
nossa sujeira foi escondida
mas continuamos despidos
porque há tempos nos despedimos
das nossas carapuças
nas nossas escaramuças

Imagem: Herbert Baglione

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Sinto muito



Qual o sentido? 
eu queria um norte
e olhei para a placa
e na placa, aquela seta
não devia estar correta

Então...
qual o sentido?
molhei o dedo na boca
esperei o vento soprar
gosto de pastel
mas o vento morreu
e meu dedo me... 

Então...
qual o sentido?
respirei, humm,  pão de queijo!
talvez de uma cantina
mas fome não havia
se houvesse até que eu ia

Então...
qual o sentido?
ouvi o barulho do quartel
inspeção do coronel
e o soldado atrasou
e não gostei, muito cruel

Então...
qual o sentido?
quando escureceu
tropecei na maldita pedra
aquela, do caminho
e xingando o tombão
porque estava lá a pedra
e o sentido não

Então...
Andei sem sorte
e sem destino
mas nem a sorte
nem a arte
se atinaram ao perigo
que se move à contra parte
disfarçando de fininho
a vontade de explicar
o que dizia o pergaminho
e a correria que eu fiz
como herói sem nem ter sido
com a razão sem nem ter tido
nessa dança sem sentido

Imagem: Isaac Cordal

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Trava lírica


Setenta e dois com sete
setenta e nove, errei.

Sempre preferi os pares,
mas sempre quis ser ímpar.

Sem pré,
pré feri os pares
mas não fui capaz,
apenas quis ser ímpar.

Testei dois versos
detestei o resultado.

Testei dois, veja só,
e de ré foi exultado.

Atestado o meu dilema
que agora já é problema
talvez mental, talvez poema

encerro a equação,
que no final não foi em vão,
com um igual ou interrogação

Imagem: Lead Pensil Studio

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Lar dos desejos



Para quem ama
nada pior
que a solidão
da cama

Imagem: fucknfilthy.com

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Dia é nome de Sereia



Noite vaga, noite ébria
cujo andar se demora
no seu silêncio me entrega
o aguardar da aurora

Noite calada, noite megera
tua solidão apavora
tua tristeza não nega
e tua beleza devora

Em cada lampejo de escuro
sobrepõe uma brisa fresca
dedilhados do ar mais puro
impedindo que o dia aconteça

Acorde menino inseguro
acorde antes que enlouqueça
especros feios de olhares duros
confundem a sua cabeça

Acorde e se entregue ao dia
deixe que esquente com calma
com luz e calor a vazia
frieza da sua alma

Dia de sol, de cabelos dourados
ilude os olhos famintos
com cores de todos os lados
pintando em aquarela um labirinto

Dia claro, dia quente
que a minha tristeza nega
cujo brilho esconde contente
a dor da alma e a mantém cega

Imagem: Titi Freak

sexta-feira, 25 de março de 2011

Nuclear



Eu, mesmo alfa, me derreto
no teu beijo, atômico.

Tua boca à beta, me completa,
minha língua acompanha, atônita.

Teu olhar assim me ganha,
dos teus olhos, raios gama.

Me atravessam, eu gamo.

E nem mesmo o mais discreto
ou meu coração, concreto

resiste à tua trama, teu novelo. 
Meu afeto se envolve, que novela...

Mas súbito te vais,  me abandona,
e a fusão que eu previa, tu detonas.

É a sintonia desse radio, ainda ativo,

Imagem: fffound.com

quinta-feira, 24 de março de 2011

Meme Literário



1 - Comédias da Vida Privada - Luis Fernando Veríssimo - às vezes eu abro esse livro e leio uma ou duas crônicas. É muito divertido. O Luis Fernando Veríssimo sabe mesmo brincar com a psicologia familiar.

2 - Crônicas Saxônicas - Bernard Cornwell - é um livro de guerra, sobre a formação da Inglaterra, adoro a descrição das batalhas feitas pelo autor. Mas aqui eu fui malandro: é uma série que ainda não terminou de ser lançada, deve ter uns 6 ou 7 livros... hehehe

3 - 1984 - George Orwell - eu sei que é um livro meio batido, provavelmente todos os que vêm até aqui leram, mas eu acho que estamos sendo vítimas de uma lavagem cerebral vinda diretamente do poder, estamos enchergando o que não devíamos e nos cegando para a verdade. Vale a pena ler denovo.

4 - 10?! Não é mto não?!
- Rafaella Rimoli
- Extraordinárias
- Foi Assim
- Relevâncias, Excessos, Quinquilharias, blá blá blá...
- Degusta!
- Metodicamente Transitórios
- Cosmunicando

5 - http://viajenajanela.blogspot.com

Obrigado pela gentileza Elenir!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Expectativa

2
Teus cigarros inapagados
em cinzas quilométricas
teu beijo borrado
e essas sobrancelhas tétricas
do cabernet envelhecido
aberto, jogado e bebido
são mais um passo dado
ao nosso precipício

Meu suor e esse perfume
misturando o teu ciúme
e estampado em bom estado
ainda do batom estalado
e tua voz ao meu ouvido
agredindo em estampido
a traição desse malvado
e o nosso amor perdido

Tens na língua teu esforço
de como fizeste o teu esboço
da uma história nossa perfeita
mas minhas culpas e desfeitas
escureceram tua voz
e cada marca atroz
que agora tu proferes
não magoam nem me ferem

Então eis aqui, pois tenho
cada ato e cada senho
em minha pele estampados.
O vilão amaldiçoado
que tu acabaste criando
ao longo dos últimos anos
que navegava o pecado
agora é marujo formado

E mais, que fiz valer
porque hei de merecer
da paciência a redenção
de refutar o teu perdão,
pois não deve haver clemência
após tanta penitência
de cada ano enfrentado
e cada sorriso guardado

Então veste teu vestido
e tua mórbida libido,
limpa o olhar borrado
e vá em busca de outro amado,
pois cansei de vê-la querer
mais que eu poderia ceder
e tu sabes muito bem
que teu desejo foi além

e o futuro era errado

Imagem: Jerry Hsu

quinta-feira, 10 de março de 2011

Foi-se

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O certo e o errado
deram as mãos
e o meu coração
foi cerrado

Imagem: Solange Azagury

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Bach estava certo



I

Nessa vida toda boa
everything is good, so far
raízes me deixam imóvel
plantado a um móvel, meu sofá
é sina de domingo
que pede cachimbo (ou seria pé de cachimbo?)
mas o cachimbo não é de ouro,
e o touro, chama-se lente
das câmeras, CDs players, máquinas fotográficas,
que batem na gente, 
e em mim, na lente dos meus olhos e ouvidos
e lá vem o buraco, ao estilo Alice,
apimentado por Jefferson's Airplane,
em trocar o dever
pela toca de prazer
rodeado por música, amigos, TV,
adolescente irresponsável
meia hora, uma hora, dezenas de ampulhetas
em exercício temerário
e o sol se pôs denovo
e o gato furioso
grita: aonde você quer chegar?
na verdade querer eu não quero
mas eu sei bem aonde vou,
conheço bem esse lugar.
É uma zona de conflito
tal qual Israel e Egito,
se voltassem a brigar.

II

Meu id que é super
e o  superego é idiota (tal qual o coelho)
produzindo em vão
um remorso de tempo e cadeira
ao levando ao frio o chá, na geladeira,
deixando o filho de um cristão
aflito e anisoso, motivo de chacota.
E o ego maldito,
perdido
aceitando cada nota
cantada a plenos pulmões
em nome do viver da vida
tentando curar a ferida
e desviando sua rota
aos sentidos falastrões
do que toco, ouço, degusto, cheiro, e vejo
numa dança pseudo-divina
até que escorra endorfina
desse nariz viciado em desejo.

III

E lá  o sol se vai
e sem dó (sustenido menor) a lua vem
em si a noite cai
e em mi caio também
exausto em minha luta
ao compor sem papel
ao reger sem batuta
à repetitiva inspiração de um Ravel
minha eterna toccata e fuga.

Video: Interpretado por Valentina Lisitsa (estudo no. 12 op. 25 de Chopin)

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Passatempo poético




Formas de nuvens no céu
passatempo predileto

Edifícios arranhando o céu
e a gente se arrastando, lenta

Passa o tempo arranhando a gente
passa o céu arrastando a nuvem

As formas dos edifícios, lentas
passatempo predilento

Imagem: http://www.mesarchitecture.org

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Puta falta

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Ter-te, como meta
um dia ainda me mata

Saudade de quem se apega
de um só toque que não se apaga

Da noite que de concreta
só vale pra quem contrata

E um sono que não pega
levando em conta o que não paga

Esperar-te me resseca
desejar-te me ressaca

Imagem: Jerry Hsu

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Desejo de amnésia



Esqueça seu passado
e beba mais um trago
da alma do seu amado

Imagem: Editorial - “Dash” | The Fashionisto

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Nerdomania



Ao deixar de lado teus óculos,
saboreio teu ensejo
com as papilas dos meus olhos,
gustativas de desejo

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Cabra cega


Somos cegos
de coração
somo de tal forma cegos
que vivemos olhando pro chão
o chão do próprio ego
Vale viver pra curar a cegueira?
Vale morrer por qualquer certeza?
Fulano diz que sim
Cicrano diz que não
Alguém nesse mundo de ninguéns
tem alguma noção?
Jesus, dizem uns
Buda, Maomé...!
O político, o médico, o ancião...
Não.
Os primeiros até ajudam
mas "vivem" em confusão
se fosse pra mudar o mundo
e eles tivessem razão
o mundo seria outro
sem guerra, conflito, aflição.
Afinal não dá pra engolir
dois mil anos a fio,
de tanta interpretação.
Ficamos nas mãos dos segundos
que não duram mais que cem.
E quem diz que a vontade desses
é a minha vontade também?
Confio nos taxistas
que sabem bem pra onde vão
se não me levarem aonde eu quero
eu que não pago, não!
Mas estes não decidem por mim
quanto mais para a nação
pior: artistas, pessoas letradas
gente do alto escalão
aceitaram por desgraça
o governo de um peão!
Por duas vezes, e agora
que já esquecemos
mais uma se sucederá
com a corja do mensalão!
Somos cegos, repito,
mas somos apaixonados
basta uma idéia, ou um apito,
e logo ficamos vidrados!
Não há provas que nos ajudem
não há notícias que nos mudem,
porque escolhido um ponto de vista
seguimos sem freio na pista
defendendo com emoção
e o resto é conspiração.
Esquecemos as regras, a lei,
vale tudo pelo partido
vale tudo pelo povão
depois enfrentamos enchentes
hospitais cheios de gente
pessoas às pencas sem dentes
mas com televisão. (digital!)
A justificativa: vem de outros carnavais,
mas vivemos sob a bandeira
de um futuro brilhante e feliz,
de passar pela eira e beira
como a lingua do safado diz,
e da esperança que ela nos traz.
Mas qual é o plano?
Como será cada mês
para os próximos 20 anos?
Isso ninguém fez!
Porque hoje eu ganho o salário,
virei classe média
to de roupa nova e carrão
o plano que vá à merda!
Tudo bem se meu filho na escola
não recebe educação,
ele passa de ano...
todos passarão,
analfabeto meu filho não fica!
As estatísticas não são em vão!
Somos um povo alfabetizado!
De letra, respeito e etiqueta!
Exemplo de civilização!
Se tudo mais der errado
alguém vai nos salvar.
Eles sempre nos salvarão,
somos massa de manobra
chovemos conforme a estação,
vivemos aos trancos, no barranco,
dia sim, dia não
e se desabar, pobre de nós,
a culpa sempre vai ser
daquele rico cidadão,
dominador, impiedoso, imperialista,
que ignora a nossa necessidade,
porque sempre poderemos pôr
a culpa na sociedade!
E vamos seguir cantando
a roda da cegueira
eu culpo vc, vc me culpa,
até nos vermos na peneira
e sermos jogados fora
afinal,
a vida é uma brincadeira.

Imagem: Ronit Baranga

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Alma de mendigo

















Sob o olhar dos dias curtos
Passam pedestres sentimentos
No frio, no clima bruto
Se arrastam isentos
Rostos cravados de memórias
Almas sulcadas de perdas e vitórias
Passa o tempo

Deixa o porto frio e navega
Mais um desejo sincero
Outra proposta que nega
Dando lugar ao desespero
Solidão servida em taça
Tragada ardente de cachaça
Deixa o medo

Congelado pelo frio
Na rua olhares o abandonam
Tornando concreto o vazio
E chance de voltar não mencionam
Mas sob esse desamparo estelar
Insiste o mendigo em dançar
Eles amam

Imagem: Jon Fox

domingo, 9 de janeiro de 2011

Ausência internética

Sem post essa semana:

- resfriado
- sem dormir
- sem net
- sem tempo

próxima semana, prometo.