terça-feira, 24 de agosto de 2010

Leve















Hoje não há teoria das cordas
que possam segurar
o cheiro do vinho
e o sono leve das pedras
boiando no ar

Hoje quem manda é meu caos
ao construir à minha ordem.
Sou rei e valete de paus
mas virei três, não soube o que fiz
(e não vai rimar), porque quero rir!

Ao invés disso, sem desespero,
deixo que o quatro escorregue
da manga com limão e gelo
e a língua cole o seis
na testa da sorte

De sorte que seja minha hoje
raptada do seu mundo probabilístico
e jogada na minha masmorra
grafitada coloridamente, como o diabo
realizando aquele porcento maroto

Até perder a graça,
na desgraça do erro sério,
do acerto infantil e ingênuo
ao fechar o olho e atirar,
correr, saltar e cair errado

Quebrei todos os dentes
sem me machucar
e ri com boca sangrenta
porque hoje não há dor
Hoje está meu

5 comentários:

  1. No embargo que somente o sono pode trazer, vim saciar-me com leitura e pensamento.
    As palavras correm mais soltas, as brincadeiras ficam mais leves e eu prefiro admirar o inexato a buscar sentidos estáticos e travados.

    Lembrei, então de você e rumei para o seu espaço neste mundo virtual.

    Não há arrependimentos, pois.
    =)
    A imagem, aliás, é muito boa também.

    beijo!

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Oi Gilu!!

    Obrigado pelo comment! Andei ausente, muito trabalho, cabeça cheia de coisas quadradas... mas voltei, e voltarei, enquanto isso vou publicar alguns poemas represados, infelizmente não terei tempo de lapidá-los para deixá-los esteticamente melhores...

    Bejo!

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  4. Pois é. Não posso deixar a vida. Seus poemas mudaram. Amadureceram. São árvores cheias de anéis. Queria escrever com você, viu.
    O que acha?
    Rafa.

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  5. Ah! A primeira estrofe é linda. Imagética no último, e existencial, tem o gosto que gosto.

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