segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Encruzilhada

Te escolhi dentre o improvável
(de uma amiga dizendo surdamente
"queria que a conhecesse, ela é adorável")
puxando teu braço, sorteada de repente
ao apertar do meu ombro, teus dedos
virei e encontrei o teu beijo bom
de arrepiar-me os pelos
de rasgar horas ao som
das onomatopéias eletrônicas
e um mozaico multicolorido
desencontrada em noite sônica
procurei teu cabelo escondido
pequenina em meio à multidão
encontrei tuas mãos
guardei-te em braços meus
e me perdi com sonhos teus
porque atravessei as noites
e inúmeros dias se passaram
te cultivei e me morrestes
e de número e espera nos deixaram
numa dança complicada
de datas, chefes, viagens, e horas marcadas
jogos de copa e quarto vazios
como o estômago e coração
da primeira ausência, o frio
não quero jogos, não!
Estes supostamente não eram para existir,
e confusão mental
gerada ao convergir
de mais um par de beijos afinal
e a mensagem espetada
na garganta que o ouvido não quer engolir
de haver adorado a noite,
deixando-me em casa, desesperado
pela a droga da aceitação
e as expectativas deixaram passar
por ilusão de vaidade?
Talvez psicologia barata de um perdido
que não sabe mais nada da verdade
enganado por uma paixão
construída com doze beijos
sem cama, sem conversa e nem chão
mas que acredita nos velhos meios
futura felicidade e muita projeção
de tu que vieste do nada
em recomendação
e ocupaste o espaço de semanas inteiras
de minhas dúvidas e tentativas frustradas
por quinze minutos de olhos nos olhos
de um basta em conversas veladas
E ao sentir o laço frágil se desfazer
desmilingüindo entre mensagens perdidas
entre datas não encontradas
da tristeza mais ardida
chego à encruzilhada:
à direita tento isto
à esquerda não me arrisco
e adiante só a estrada

8 comentários:

  1. nessas encruzilhadas a gente fica perdido como o cão!
    na dúvida, melhor esperar...
    bejo :)

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  2. Tenso né?!

    Mas não precisa mais esperar, quando já foi superado!

    Vlw! Bjo!!!

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  3. Ah...
    Romântica que sou,
    gostaria de que o desfecho
    tivesse sido outro.
    Afinal,
    que começo sublime! : )

    Um abraço,
    Doce de Lira

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  4. Edu!
    Belo e angustiante.
    O 'adiante só a estrada' faz algo que gosto muito: une o paradoxo. Ao mesmo tempo que a estrada pode ser metáfora de novos caminhos, novos lugares, é esse novo que apenas não basta.

    Beijos.
    Rafa.

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  5. Renata, pois é! Meu romantismo tbm gostaria q o final fosse outro, mas acho que é bem nos desencontros da vida que encontramos com nós mesmos, então não acho que o fim tenha sido ruim, pelo contrário!

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  6. Rafa,

    Justamente! É um novo conhecido, é um novo que gostamos de repetir, de voltar, muitas vezes até mesmo esquecido no tempo e nos dilemas freudianos que vivemos, mas ao mesmo tempo aquele novo aventureiro do qual se espera mais, com medo.

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  7. Homenagem:

    Gostaria de prestar uma homenagem à Rachel, minha amiga de infância, responsável pelo incentivo à entrada no mundo dos blogs. Ela tem seu próprio: http://eugostodeumacoisaerrada.wordpress.com/

    Inclusive, a Rachel que me apresentou a personagem principal deste poema!

    Beijo Rach!

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  8. Rs... Teus poemas são muito mais reais que os meus!

    Não te preocupes, elas são muito mais experientes e vão sempre jogar melhor que a gente. Resta um dia estarmos mais velhos e nos surpreendermos com nossa própria experiência.

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