quinta-feira, 27 de maio de 2010

Inspiração e objetividade

Desliza em gotas o suor na testa
feições embaraçosas de preocupação
olhos enrugados, voltados ao que resta
de qualquer figura clara da imaginação
por onde flutuam pedras e asas
disputam espaço lírios e balas
em guerra travada por pura atenção

Visões ariscas que surgem aos montes
textos despalavrados negam as fontes
obras cubistas sem ruas nem pontes
formas disformes se atiram dos frontes

Engole a saliva envelhecida com as horas
se ao menos o quadro explicasse a saída
mas travado na mesa e pensamentos às voltas
sofre o escrutínio auto-crítico das idas
e o lápis já não escreve, desapontado
após sete parcelas de dias descontados
com com calendário de idéias não lidas

Das maçãs não distingue a madura
não se decide sobre a pintura
em que ora denota ora figura
e amassa o papel, esboçando amargura

Enquanto a aflição envolve ombros e dedos
a avião-palavra não decola
surgem barreiras, questionamentos e medos
e o tempo justo o apavora
deixa o rastro da incompetência
em um único traço após desistência
da objetividade que se demora

2 comentários:

  1. valeu, edu.
    é nesse jogo que a gente vai poesiando,
    não sabendo ao certo o que é objetivo, o que é inspiração...
    teu poema tem um canto amplo!
    vou ler outras paradas ae,
    valeu irmão!
    POESIA!

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  2. Brigada, Edu! Bom ver mais gente poesiando, redondinho o seu blog *_*
    A barriga é minha sim, haha.Não falou nada de errado não, só foi engraçado esse papo de diva ;)
    Seja bem vindo sempre, beijos.

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