quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Vício



Quiero ser tu vicio
tu hábito
tu adicción
tu obsesión
tu vicio

Quiero que me fumes
que me tomes
que me bebas
que me consumas
que me inyectes a tus venas
para que sea parte de tu sangre
para meterme al más hondo de tu corazón
para que cada célula de tu cuerpo
conozca mi sabor
mi afecto
la sensación que ofrezco

Ábreme como una botella
como una lata
como una cajetilla
quítame el plástico
Déjame darte placer
Déjame cambiarte
Gózame
soy puro gozo
soy puro
no hay mejor calidad

Permiteme ser tu afición
tu droga
tu vicio

Me respiras
Me inhalas y me exhalas
pero algo de mí
queda dentro de ti
Sigo en tus pulmones
sigo en tu sangre, tu corazón
Sigo en tu cerebro
y entro a tu alma
tu ser más profundo

Llegará un dia
Cuando dependerás de mi
Yo seré la primera cosa
en que pienses al despertar
La última cosa en que pienses
al dormir

Tu vicio
Yo seré tu vicio

Imagem: KMND

Ps: Já que estou na España, um poema em espanhol! hehe
Ps2: que 2011 seja um ano ímpar!

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Maldição divina

10

Sopra o vento alimentando a distância
de onde navega a nau em penitência
desterrada sem qualquer clemência
do povo em terra e sua ignorância

Da algazarra costeira ao silêncio marítimo
do calor terreno ao frio indócil
navega o barco pelo reino fóssil
num mar bravio de sacolejar sem ritmo

A mensagem atravessada de virtudes
e o povo em outros tempos cativado
seguem abandonando gentilmente

dando lugar ao eco negro da quietude
a um Deus por tantas eras celebrado
selando seu destino esquecido eternamente

Imagem: Jun Kumaori

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Minimamente abstrato

A/B


















Estrado

Imagem: quadro de Barnett Newman 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Desejo de rima pobre para o amanhã


Amanhã haverá ressaca
dor de cabeça de cachaça
náusea horrível, gosto de nhaca
amanhã haverá ressaca

Amanhã será verde musgo
o fundo do poço, o quarto mudo
um Deus nos acuda, o fim do mundo
amanhã será verde musgo

Amanhã, nem quero pensar
não quero viver, não quero ansiar
porque vou beber até raiar
mas amanhã, nem quero pensar

Amanhã, não deve existir
hoje é o dia que venho aplaudir
hoje é o berço do meu insistir
Amanhã não deve existir

Amanhã ou amanhãs, não interessa
prefiro viver sem pressa
enquanto deixamos que ele amanheça
vamos deixar que o hoje aconteça!

Foto: Matthew K "Mojokiss" Mayes

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Amor?


Se o amor soa bem
aos olhos de quem
bem te quer

Haverá de soar tão alto
em sobressalto
em lugar qualquer?

Do susurro ao grito
do chão ao infinito
até mesmo a lua?

De tão alto o soar
do grito sem ar
o amor também sua

Foto: depois eu ponho o autor, sem tempo agora

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O primeiro dos deuses era mulher


Gosto do chão
do pé, da mão,
im-pulso puro
na rocha dura,
da realidade,
que raridade!
Olhar ao céu
pernas ao léu
num vôo lento
até no cimento
pousar feliz,
eu mesmo fiz:
trôpego e bêbado,
esparramado
brinquei, sujei,
ri e rolei,
passei a mão
nesse meu chão
nessa frieza
onde a tristeza
da molecada
numa zoada
com a mãe terra
morre e se enterra

Foto: Frederico Pelachin

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O selo



Se de partes se compõe o mundo
de partidas compomos nossa vida,
porém de não há sentido, no fundo
quando fica sem a volta cada ida...

Tudo se resume ao Deus tempo,
e ao carinho com que conduz agouros
se cada partida é um destes ao vento
cada chegada, seu ancoradouro

Os departures são parte da minha,
gosto do avante sem olhar para trás
mas deixo sempre a saudade com linha
pra recolher o que um arrival me traz

E sempre à espreita, a dona felicidade
sempre me aguarda para pregar peças
em todo o destino, em qualquer cidade
partindo ou chegando, vou feliz à beça

Minhas partidas são uma ode a aventura
do devaneio ao calafrio da liberdade,
e minhas chegadas, num aconchego de ternura,
eu me derreto nos braços da saudade!

Notas:
Texto em resposta ao gentil convite "selado" pela Elenir do Viaje na Janela - http://viajenajanela.blogspot.com
Coincidentemente dia 13/12 estou saindo para uma viagem de 40 dias rumo a NY e Europa, na foto, o metrô de NY. Tudo isso torna a brincadeira menos lírica, mas muito divertida!
Fiquei muito feliz com o convite selado e de praticar O Selo, com muito zelo!... tanto que vou selar também! Quem sabe alguém responde... sei lá!

- Nada mais justo que para a viajante, né?
http://foiassimdoispontos.blogspot.com/
 - Às minhas amigas Extraordinárias, que vão adorar falar sobre:
http://somosextraordinarias.blogspot.com/
- À Moni e o seu cuidado com as palavras:
http://blogdamoni.blogspot.com/
- Talvez esse povo seja mais rebelde e contra "pautas", mas não custa tentar:
   - Caracoflávia -
http://flaviadoria.blogspot.com/
   - Tayo, o mestre samurai das palavras -
http://limitedapalavra.blogspot.com/
   - Álvaro e as sutilezas -
http://cinzasdapoesia.blogspot.com/

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Negativo


Um dia perdi a hora
e da hora, a vez na fila
e da fila, foi-se o trem,
sem trem não houve chá,
o chá das três e trinta
e nem cigarro nem isqueiro
perdi a fumaça do cinzeiro,
e sem chá e sem fumaça
perdi a idéia na cachaça,
sem idéia aquela carta
já não foi pra namorada.
Sem idéia e da cachaça
aos braços da devassa
amanheci sem meu juízo
traí a namorada
e quase perdi o pinto.
Me perdi do meu amor
e o sorriso do meu filho
a proza com o avô
e a atenção no meu trabalho
o dedão no maquinário
a razão em um repente
a briga pra um otário
na briga perdi um dente
e não virei presidente,
e sem dente e sem trabalho
perdi anos sentado
num vaso sanitário
no meio do escritório
escrevendo relatórios.
Perdi o suor da vida,
o desejo de conquista,
o emprego e a esmola,
o segredo do meu cofre
e o dinheiro junto,
me tornando vagabundo
perdi a sorte que não encontrei
andando pelo mundo
perdi demais no carteado.
Então sem nada fui à igreja
e me perdi no sermão
da escolha perdi a certeza
e no meio da multidão
acabei me perdendo da morte
e o epitáfio da minha lápide.
Perdi a chance do sossego
e nas mãos do desapego
vago louco, desgarrado
pois cada ano que passei
cada dia que eu guardei
eu perdi sem ter ganhado


Foto: ♥ Jing ♥

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Desterro


'030' by The Good The Bad (UNCUT) from 030 on Vimeo.

Silêncio opaco, da quietude
quarto apagado em branco e preto
recém desperto em plenitude
escorregando pra mais perto

Descanso os olhos nos teus ombros
deslisando as mãos no teu corpo
ralando a barba no teu rosto
calando a boca no pescoço

Súbita ira de desejo
suspiros, pernas e enrosco
em frenesi úmido e tosco
o prazer máximo em lampejo

Trêmula ainda em meus braços
olhando com sorriso fraco
me arremessando do sossego
Por que investir nesse laço?

Se rejeitaste meu apego

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Afim de só papo



A
É
...

Porta
porte
por te
por ti
per se
ésper e
espere 
espere a Di
espere, e tu
espere a mi
espere só... 
... lá si
m'espere lá 
... se dó
dó s'espere 
... que 'pê'
desespere aqui
dispare só
disperse pó
desse per disse
desse per te mi
... ré fá
mi expire fé
inspire só
expulse me
expurgue te
exceda-se
exale
esqueça-me

Imagem: Adara Sanchez

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Feriados

Tomei o sol
cerveja no mar
espumas brancas
amargor fresco
de um dia inteiro
suando do gelo
de gelo
degelo
de ondas de calor
indo e vindo
engolindo
enrubescendo
decrescendo
cosmopolita
belo e seco
se pondo
às sete em ponto
e eu tonto



Imagem: Patrick Hrub

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Ressaca eleitoral gratuita



Palha
e aço
nome
Bom
bril,
Brasil
Asso
lan
assolam
palha
e aço
e nomes
e fomes
de multi
dões
multi
dedões
todos
somos
Multidões
e rios
e bah
ia
porque não vai
e santos
como o paulo
ou a catarina
desaguando
em urnas
com os dedos
sujos
esperando
limpar
os nomes sujos
para lavar a alma
para lavar a lama,
de política
de imperícia
de império
esquerdista (sim, tenho lado)
o Brasil tem lado
o esquerdo
a direita
morreu
porque é feia
é dura
rouba mas faz
estupra
mas não mata
mas mata
e o pobre
palha
de aço
acredita
na dita
história
de quem
não fez nada
e fez tudo
ao contrário
mas vende
o canário
verdinho
no cenário
internacional
de mal
versus bem
não, bem
não vá
volte
vote

te
à
merda


Obs1: merchan do blog, receita = 0
Obs2: sim, tenho lado

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Recesso

Recesso por motivo de trabalho
sem postar 2 semanas
sinto falta dos poemas

Terça-feira que vem

Prometo

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Angina


E no início do dia
no pulsar do coração
choro gotas de areia
derrapando em vão
pela ampulheta horária
da brevidade humana
meio louco, meio são

Soluço de consciência
estoura de espasmo químico
da perene penitência
pulando de um choque mínimo
enquanto a respiração se arrasta
e o sufoco da paciência
ri sem achar graça

Resignado consolidando nada
como peças de legos
num mar repleto de bolhas
frágeis e multi-saborosas.
Elas estouram caladas em marasmo
como a ansiedade se contrapondo
à felicidade de um orgasmo

Espremo o limão racional
nos olhos do coração
e deixo queimar o dia ao sol
por mais uma vitória vazia
sigo, brilhantemente cego
contando com a amnésia da morte
escorrendo o sol por mais um horizonte
vermelho rajado com cinza do mau tempo

Só breve vivo

Imagem: Sombras de Kumi Yamashita

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Life attempt

Let´s hide ourselves away
and lock our will a thousand miles
maybe then we could forget our way
and find a path for fake smiles

Let´s play someone else´s role
and search for some pleasure under another skin
maybe then we could deceive other´s looks
and find courage where shame begins

Let´s get together with regular people
with the same plastic souls
maybe we will get the world better
maybe our lies would come true

Let´s live pretending happiness
and ignore our miserable lives
it´s meaningless to remember our fears
because without happiness we just can not die

Imagem: Dave Kinsey

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Leve















Hoje não há teoria das cordas
que possam segurar
o cheiro do vinho
e o sono leve das pedras
boiando no ar

Hoje quem manda é meu caos
ao construir à minha ordem.
Sou rei e valete de paus
mas virei três, não soube o que fiz
(e não vai rimar), porque quero rir!

Ao invés disso, sem desespero,
deixo que o quatro escorregue
da manga com limão e gelo
e a língua cole o seis
na testa da sorte

De sorte que seja minha hoje
raptada do seu mundo probabilístico
e jogada na minha masmorra
grafitada coloridamente, como o diabo
realizando aquele porcento maroto

Até perder a graça,
na desgraça do erro sério,
do acerto infantil e ingênuo
ao fechar o olho e atirar,
correr, saltar e cair errado

Quebrei todos os dentes
sem me machucar
e ri com boca sangrenta
porque hoje não há dor
Hoje está meu

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Meu ovo de colombo

Hoje eu
prego
Hoje deu
ontem zero
Pelo réu
rezo
Sai do breu
o nó cego
E no meu medo
escorrego
Não é meu
mas me entrego
e no desfecho
eu nego
Hoje eu
ontem ego

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

TaiyoStyle

Se o carro puxa o cachorro
e o cachorro puxa o rabo
do ponto de vista dele (o rabo)
não há problemas em balançar

Mas se o rabo, puxa-vida,
puxasse o cachorro,
cachorros de rabos cortados
viveriam pela metade

Por isso disse ao veterinário: mitose.

Eu, que não sou rabo nem cachorro,
me preocupo onde meto meu nariz,
para que não fique triste,
ou viciado

Ainda assim volto pra casa embriagado
às vezes sólido, às vezes líquido,
já que nada se cria e tudo se transforma,
mas com uma felicidade só minha

Resultado disso: Van Gogh com Picasso

Não é questão de ângulo,
talvez papo de bêbado,
mas nunca um pé sadio
será mais feliz que olhos míopes

E se eu, assim, meio Picasso
balançando igual rabo de cachorro
e latindo para carros
não derreto meu vício em tristeza

Digo ao veterinário: me (Van) Grogue

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Pensamentos líquidos

Quadro de Troy Lovegates
Eterno náufrago de mim mesmo
afundado em pensamentos infinitos
inter-conectados ao mesmo tempo
sujo de eternos sobrescritos

Nessa apnéia surda, vivo
abrindo passagem entre os ditos,
contos, versos, romances
dos mais variados nuances

Mas hei de respirar um dia
a clareza de um dia reto
e sem volteios, sem cores frias,
sem vozes mentais, aberto

E verei tudo de cima
tecendo versos em caos ordenado
em cores quentes, minhas rimas
do todo ou em parte, feitas com cuidado

Onde finalmente perecerei feliz
por me ver em totalidade
imerso no mundo que fiz
e também parte de qualquer paisagem

Tornando-me encaixe exato
entre o passado e o futuro distantes
apenas humano em seu extrato
em fluxo único e constante


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Encruzilhada

Te escolhi dentre o improvável
(de uma amiga dizendo surdamente
"queria que a conhecesse, ela é adorável")
puxando teu braço, sorteada de repente
ao apertar do meu ombro, teus dedos
virei e encontrei o teu beijo bom
de arrepiar-me os pelos
de rasgar horas ao som
das onomatopéias eletrônicas
e um mozaico multicolorido
desencontrada em noite sônica
procurei teu cabelo escondido
pequenina em meio à multidão
encontrei tuas mãos
guardei-te em braços meus
e me perdi com sonhos teus
porque atravessei as noites
e inúmeros dias se passaram
te cultivei e me morrestes
e de número e espera nos deixaram
numa dança complicada
de datas, chefes, viagens, e horas marcadas
jogos de copa e quarto vazios
como o estômago e coração
da primeira ausência, o frio
não quero jogos, não!
Estes supostamente não eram para existir,
e confusão mental
gerada ao convergir
de mais um par de beijos afinal
e a mensagem espetada
na garganta que o ouvido não quer engolir
de haver adorado a noite,
deixando-me em casa, desesperado
pela a droga da aceitação
e as expectativas deixaram passar
por ilusão de vaidade?
Talvez psicologia barata de um perdido
que não sabe mais nada da verdade
enganado por uma paixão
construída com doze beijos
sem cama, sem conversa e nem chão
mas que acredita nos velhos meios
futura felicidade e muita projeção
de tu que vieste do nada
em recomendação
e ocupaste o espaço de semanas inteiras
de minhas dúvidas e tentativas frustradas
por quinze minutos de olhos nos olhos
de um basta em conversas veladas
E ao sentir o laço frágil se desfazer
desmilingüindo entre mensagens perdidas
entre datas não encontradas
da tristeza mais ardida
chego à encruzilhada:
à direita tento isto
à esquerda não me arrisco
e adiante só a estrada

terça-feira, 27 de julho de 2010

Incompleto

Em busca de amor e complemento
me lanço bobo ao mar em aventura
ansiando em conquistar alento
entre beijos, abraços e ternura

Os esforços usados na conquista
de atitudes, rimas e flores (piegas)
esvaziam a esperança de pista
de atenção cuja "pretê" hoje nega

Gastando desta feita a minha arte
exausto de esperar a contra-parte
e louco e solitário na disputa

desisto de enfrentar, assim, tal luta
por esse horizonte não repleto,
permanecerei assim

terça-feira, 20 de julho de 2010

Sem choro

Sem choro, que agora não adianta mais
escolhemos as armas e quebramos nossa paz
consumimos cestas e mais cestas de maçãs

Seguindo pelos campos sofridos
da liberdade, da escolha e da razão
buscando um futuro desvalido
em busca de qualquer conforto, dando as mãos
trilhamos o caminho ainda perdidos
ora evoluindo, ora rumo à destruição

E pisando dia após dia em sangue divino
de um Deus louvado por conveniência
no desespero estampado, mas contido
dentro de cada consciência
ainda rezamos e imploramos
diante dos mesmos erros cometidos
e da falta de resposta da ciência

Se o volume do seu mundo ainda está baixo
ou se as cores não mais representam
as vozes trêmulas em busca de socorro
saiba que dor e escolha se alimentam
apenas olhe o espelho e engula o choro

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Eu e Deus

Não sou o maior fã de Deus
Porque Deus não cuidou dos seus
E Deus nos escolha
E Deus nos fizemos
E Deus andou
Adeus

Ainda assim acredito nas suas linhas tortas de maçãs que comemos.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Vasculhando o passado

Procuro o passado
perdido, picado
em pequenos pedaços
de papel de almaço

Vasculho velhas vasilhas
que revelam verdadeiras
lembranças varridas
na vastidão da vida

Muitos sonhos se passaram
mas nem todos se acabaram
por essas noites passadas em vão

E não consegui juntar os pedaços
dos sonhos perdidos, picados
espalhados pelo meu chão

*poema feito quando eu tinha 10 anos

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Morte e vida na hora do rush

Salpicam entre o dourado penetrante
pedaços de coisas em movimento exuberante
do vapor quente que sobe ao nariz
aos que repousam finalmente ao plúmbeo-gris

Visão de monotonia plácida que jaz
nos vultos lentos a passar em falsa paz
choca-se em meio a música repentina e chuvosa de sapatos
em saltos úmidos frustrados se livrando de regatos

E em tarde quente cujo fim se aproximava
do fim da gente ou mais um fim de uma jornada
sobrando em frente a mudez noturna desesperada

Do tédio de ver a vida passar
Na esperança de uma luz abri um livro
Mas desisti, tomei coragem de viver e abri o vidro

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cinza

Não há poesia
quando tudo o que se vê
ouve, toca e sente
está cinza

terça-feira, 22 de junho de 2010

Zom in, Zoom out

Em se supor,
suponho que
o mundo ora dista
e ora se acerca

De fato,
sem nada,
vivemos tudo
no mesmo momento

E o embalo das horas
inexorável
faz-nos caminhar
como escravos do tempo

Prazer te encontrar
conhecer, esquecer
apaixonar
dando sentido ao que é viver

Fotos, figuras,
marcas e rastros
e cicatrizes
de amores gastos

Manias,
fescuras
de outros dias
em partes iguais

Nunca vistas,
e sempre aparentes,
revelam marcas
dos seus ancestrais

Seguindo seu rumo
sem norte, sem prumo
no caos e na ordem
do cerne de tudo

Entorta-se a vista
adequa-se a fonte
segue o padrão
que devora a gente

Num dia ou no outro
vive-se o máximo
doa-se o mínimo
chora contente

O prazer deslavado
de usar mal usado
cada trocado,
doado do tempo

Sem garbo,
requinte ou luxo
ignorando tudo,
pois viver é efêmero

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Alívio

Suspira o coração
ao desascelerar
do topo de seu pulsar
após o susto de um trovão

Engole e conflita
o nó preso na garganta
desmorona
em boca doce ao salivar

Braços escorrem
arrastando ombros e dedos
em onda de calor
relaxando até o pé

Que formiga
junto da barriga
acalorada novamente
onde fome toma vida

E torce o pescoço
tal qual a coruja
ao sentir o estalar
aliviado osso por osso

Mas olhar quase escuro
concordando com barulho
reticente, quase surdo
destoando ao relaxar

Da arma segue o tiro
e o trovão com o alívio
da morte ao me levar

terça-feira, 8 de junho de 2010

Transitivo do impacto da paixão à primeira vista

dias que o transito instintivo
em um não-piscar fica assim: definitivo.

Num momento o alternar entre o escuro, 
e claro demais... noutro o inferno o céu, inseguro.

Esparramado escorre mais um corpo no degrau,
dor e lamúria de um desastre nacional.

Um, dois, três passantes
logo logo sirenes incessantes.

Mas sei que passaram mais, e esse não vi,
último em memória e primeiro suspiro na UTI

Não há um dia sem ser atormentado
por haver sido atropelado.

Porque vi você, que não sorriu.
E o vidro do meu coração então se partiu.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Receita

Tomei dois sorrisos
somei uma dor
embora indeciso
tirei uma cor

Somei neologismos
formados com graça
furei silogismos
que a vida me traça

No espaço vazio
um suspiro fundo
um pouco de frio

que se derreteu
criei esse mundo
pus nome de meu

quarta-feira, 2 de junho de 2010

beBãdo

Dedos errados
tropeçam calados
neurônios engarrafados


terça-feira, 1 de junho de 2010

Indiferença

Na trama do lençol restaram teus suspiros
roupas, cheiro, batom, o sal do teu suor
no meu copo de vinho teu gosto e delírio
o som daquele disco tocando em dó menor

O tom da vida curta outrora proferido
felicidade pura que exalava de nós
agora inspira o medo perdido em teus gritos
e dá ao beijo amargo sabor de mais um pós

Jaz teu corpo na cama em sonho suspendido
desperta do cansaço da briga e da descrença
e fúria indomável do término cumprido
e o silêncio negro da minha indiferença

domingo, 30 de maio de 2010

Auto-ilusão

Ao ver-te
desejei-te
desajeitado
apresentei-me
sorrindo
respondeu-me
sonhando
imaginei-te
em mim
projetei-nos
planejei-nos
cultivei-nos
em ti
mingüei
caí
sumi

eu e nós
tu e ti

súbito
não percebi
desmoronei-me
sofri
até que vi
que abandonei-me
daí
arrependi-me
desconstruí-te
por que te quis
porque me fiz
infeliz
daqui pra frente
para sempre
negarei-te

sábado, 29 de maio de 2010

Convergência

Amanheça e lembre seu nome
com conhecimento sacie sua fome
lembre-se da vida enquanto dorme

Dote-se de paciência
fale com pertinência
escolha com exigência

Conte até que anoiteça
viva até que envelheça
dure até que enrijeça

Aprenda o que mais aprecie
deixe que o vento acaricie
água e arco-iris agracie

Dos mundos escolha o seu
dos deuses escolha um "deu"
dos lábios escolha o meu

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Inspiração e objetividade

Desliza em gotas o suor na testa
feições embaraçosas de preocupação
olhos enrugados, voltados ao que resta
de qualquer figura clara da imaginação
por onde flutuam pedras e asas
disputam espaço lírios e balas
em guerra travada por pura atenção

Visões ariscas que surgem aos montes
textos despalavrados negam as fontes
obras cubistas sem ruas nem pontes
formas disformes se atiram dos frontes

Engole a saliva envelhecida com as horas
se ao menos o quadro explicasse a saída
mas travado na mesa e pensamentos às voltas
sofre o escrutínio auto-crítico das idas
e o lápis já não escreve, desapontado
após sete parcelas de dias descontados
com com calendário de idéias não lidas

Das maçãs não distingue a madura
não se decide sobre a pintura
em que ora denota ora figura
e amassa o papel, esboçando amargura

Enquanto a aflição envolve ombros e dedos
a avião-palavra não decola
surgem barreiras, questionamentos e medos
e o tempo justo o apavora
deixa o rastro da incompetência
em um único traço após desistência
da objetividade que se demora

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Brincando de boneca

Espere!
Não se desespere...
Deixe por menos,
é só uma contradição.
Embora não seja a hora de se vingar
porque às vezes o resultado não vinga
e mesmo bonecas infláveis
nem sempre são infalíveis.

domingo, 23 de maio de 2010

Egoísmo

Não desvie teu olhar de mim,
Que sou o menino dos seus olhos,
Que sorrio, danço e cortejo diante de ti.
A quem tu deves atenção.

E só posso ser teu sob essa condição,
Porque não deve haver vida tua sem a minha,
E que não haja sorriso teu sem minhas palavras
Já que agora sou teu guia, teu companheiro

Só assim é possível alivar meu medo
de não estar presente em sua alma
Então querida, não te deixes distrair,

Nem use de desculpas para relaxar e desviar-te,
Porque nada mais é importante
Apenas eu

sábado, 22 de maio de 2010

Refém das possibilidades

De um sonho ao acordar à noite
nas suas veias estalando ao pulsar
medo trazido pelo olhar da morte
decidiu por confrontar seu azar

Em vida que parece livre e bela
percorre cada estímulo e prazer
maravilha-se a toda descoberta
somando novas coisas a fazer

Porém o horizonte é muito amplo
e há beleza nas coisas mais singelas
mas os limites ferem esse encanto

e cada dia aumenta essa ferida
não há tempo de saborear vida
quando há o amargor da morte certa

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Vaidades

Como um colar de pérolas
adornando um pescoço magro
quero a ti hoje em mim

Quero que agarres às tentações,
esqueças teus receios
e te rendas aos meus encantos

Hoje serei tua droga,
a que te deixará mais importante
sem pensar em conseqüências

Farei de ti princesa
do mais belo conto de fadas
que tu há muito queres encenar

Vais substituir meu desespero
que a solidão me trouxe e
que o velho espelho insiste em refletir.

Pois estou partido e só,
a deriva em minha masmorra,
aborrecido com minha própria presença

Aceites, pois, a vir em casa
e encenar esse papel
pois o desejas secretamente

Que eu serei o cavalheiro
o maior conquistador
o sonho de qualquer mulher

Essa noite dançaremos
no palco dos nossos desejos
como duas crianças enganadas

Eu por crer
Tu por querer

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Mágoa

Desespero ou desistência
raiva, dor e frustração
de onde surge a carência
e te põe nessa prisão
de um frio que não calenta
da distância que não passa
uma hora não se aguenta
e te põe em desgraça
pois não há concentração
Então desfaz o teu medo
e rasga teus sentimentos
e vence teus sofrimentos
e deixa que vá ao vento
todo aquele desalento
por culpa do teu apego

Foram feitos com cuidado
com a letra desenhada
um rascunho feito ao lado
de palavra em palavra
sílabas versos e rimas
segue a métrica bonita
com o coração partido
e o desejo de salvar
onde aquele amor perdido
talvez fosse vingar
mas agora está jogado
bem picado e espalhado
pelo vento da janela
do penúltimo andar

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Desistência

Desafio-te a acreditar
Que não há amor aqui
Que os cacos de vidro espalhados
Não arrancam sangue do seu coração
Pois cada pedaço daqui
Foi concebido sob o seu olhar
Foi cultivado sob minha pele
 
Ainda que silencies tua voz
E torne tuas feições impávidas
Sei que tu sentes dor
Sei que pesa teu estômago
Então aceite finalmente
O amor que tenho a te entregar
Não o critiques nem o rejeites
 
Vem e vive e abre-te
Desfrute de meu sangue que derramaste
Mas aprenda que hoje nos ferimos
Apenas porque tu não acreditaste

domingo, 16 de maio de 2010

Sonhar-te

Sonho acordar ao teu lado
não para que ao meu pulso te prendas,
talvez por ser mais adequado
e completo que acordar só apenas.
E em lugar de um sol alaranjado
queimando minha pele em tons vermelhos
Seus olhos a me sorrirem teus apegos
e perder-me em seus dedos, cabelos e afagos

Assim me realizo
ao sentir da tua boca o calor
ao respirar-te a pele e penetrar teu pelo liso
e ao puxar seus braços e cabelos com vigor
prendendo-me aos teus desejos e vícios
instalando-me em suas rotinas e prazeres
para me amar além dos teus deveres
e guiar-te além do que tenhas visto

Sonhos teus que me iludem
em que teu cheiro me envolve em essência
e tuas pernas e as minhas se confundem
trançando minha alma em tua existência,
do frio e da distância me defendem
já que há uma certa consistência
de um projeto ainda simples de alma
a viver em eterna calma
e derramar em ti toda essa carência

Mas não! Amanhece quando não se espera
e ainda sou meu próprio ente
Mas ainda assim o desejo impera
(Fecho os olhos e vejo os olhos sorridentes
teu cabelo emaranhado em meu peito como hera
e tuas pernas entre as minhas,  inda dormentes.)
Amanheceu.  Manhã vazia.
Felicidade em sonho, quem diria!
E deixo que saia um suspiro entre os dentes

A esperança de que um dia
ao acordar tu estejas ao meu lado
e por força divina, coincidência infinita
ou talvez somente o desejo febril, de fato
tu realmente estivieres ali ainda
Não sonharei nunca mais na vida
pois já estarei sonhando acordado!

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O dia

Sexta,
quinto dia, pois, já não é sóbria.

Da pressa em terminar o trabalho,
ao futuro breve de dois dias,
ou ilusão de liberdade,
que se sente dentro de garrafas alcoólicas,
e talvez cositas más...
em que se cria a inebriante ilusão de liberdade,
o prelúdio da dor-de-cabeça do sábado,
e o prejuízo moral de domingo,
registrado em fotos inesquecíveis,
e falas impróprias com razão esquecidas.


Sexta de restaurantes, bares, festas, motéis,
risos, abraços, beijos e boas histórias.
E quando não há história,
a ressaca de sábado é pior!


Não há cansaço,
apenas um desejo por vida,
de sorver cada momento
porque a vida é curta.
A vida se concentra em dois dias por semana,
e após a vida,
nada... ou trabalho, o que você preferir.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Queda-livre

Nada a fazer agora
Os pés já não tocam mais nada sólido
Nem qualquer coisa que possa servir de apoio
Os músculos se afrouxam
Tudo o que se sente, ao primeiro instante é o ar
Que passa pelos dedos das mãos abertas
E pelos braços abertos, empurrando-os para trás
Como se esperassem abraçar algo maior que o mundo
Os pulmões se enchem de ar
Assim como os sentidos se enchem de calor

Há uma sensação excitante de descontrole
Entendida pelo estômago e transformada em frio
E não há um músculo sequer tensionado
É possível ver tudo
Como se a terra fosse algo distante e simples
E como se estivesse separado do ritmo normal das coisas
É a chance de gritar incontrolavemente
E ouvir o som de sua voz ser tragado
Os olhos veem mesmo que fechados
Porque há uma clareza ofuscante de sentimentos
É uma falsa sensação de controle sobre sua própria felicidade

Não há mais preocupações, não agora...
Abandonei em meu último contato com aquele mundo sólido que ficou para trás
Conselhos, pudores, até mesmo a razão em si
Para tornar-me passageiro do vento
Para ceder à gravidade, 
À sua gravidade
E mergulhar de encontro a você

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Versos do inverso

Nas circunstâncias adversas,
em que o mundo hoje se guia,
perdemos nossas promessas
para encontrar mentiras frias.

E no calor da atmosfera,
que cozinha os pés e a terra
onde pairam aves marinhas,
caem bombas daninhas.

Comemoramos o fracasso
que há na humanidade
ao errar um novo passo
ao futuro nuclear.

Enquanto choram convidados,
para alegria do amante,
da ausência do infante
ao seu lado no altar.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Ausência lírica

Sem poema
Só trabalho

domingo, 9 de maio de 2010

Dia sim, dia não

Dia sim, estamos juntos,
Sou tangível, denso,
me alimento do teu olhar
derramo meu desejo sobre tua pele
Respiro teu cabelo,
Toco teus ombros,
Aperto teus braços.
Rio, choro, me parto em mil sentimentos diante do teu sorriso
sou repleto de brilho, de tua voz, de tua vida
E me acalmo ao ver teu sono
Descanso os olhos em teu rosto
Rezo pela eternidade do momento
E escorro pelos teu dedos...

Dia sim, sou vida
Dia não, sou esperança
Dia sim,sou o presente
Dia não, sou o futuro
Dia sim, me alimento
Dia não, hiberno
Dia sim, te amo
Dia não, te imploro

Dia não, sou pensamento,
sou esquálido, minguante,
sofro solitário fantasiando sobre o dia que nos veremos
Caminho seco noite a fora, atordoado,
Pela falta dos teus tratos, pelo desejo do teu cheiro
Temo a rotina distante
Sinto o vazio dos arrepios não compartilhados
E das mãos que não dormem entrelaçadas
Então capricho em meus sonhos
Cuido das memórias
Numa louca contagem regressiva

Dia sim, te inspiro
Dia não, te lembro
Dia sim, te sinto
Dia não, te quero

Dia sim, desejo que não termine
Dia não, desejo que não se perca
Dia sim, mostro como desejo que seja sempre
Dia não, balanço a ampulheta esperando que a areia passe mais rápido
Dia não que um dia não existirá mais
Deixe que dia sim venha dominar o tempo
E sendo o dia, e sendo assim, me ame até que o tempo se acabe

sábado, 8 de maio de 2010

Bate e volta

Prepare-se,
frustre-se.
Jogue
e ganhe.
Pense,
decepcione-se.
Ignore,
e seja feliz.
Ame,
separe-se.
Evite,
e conquiste.
Viva
e sinta-se parado no tempo.
Deixe-se levar
e veja o tempo passar despercebido.
Trabalhe,
sonhe com férias.
Tire férias,
sonhe com a loteria.
Ganhe na loteria,
descubra que a vida não muda muito.
Escolha A e compre,
fique pensando em B.
Fale a verdade,
seja acusado de calúnia.
Minta,
vire presidente.
Sonhe com um mundo melhor,
sinta-se impotente.
Seja egoísta,
descubra a liberdade.
Deseje,
consiga,
arrependa-se.
Determine suas metas,
chore por filmes e por músicas,
encaixe-se nos padrões,
e tenha a sensação de que metade do que fez foi em excesso,
ou que virou um escravo do consumo e da opinião alheia.
Equilibre-se na linha da vida,
e aprenda a aceitar as quedas,
porque você vai cair.
E se cair, levante-se, e tente denovo,
tudo é assim,
um eterno bate e volta.

A culpa é minha!

Volto pra casa, você
Escovo os dentes, você
Bebo água, você
Deito, você
Sonho, você

Você percebe o que fez?

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Ego

Ao deitar-se,
há sol sob as pálpebras
há uma inquietude nervosa tensionando braços e pernas
Há um desconforto corporal como se algum membro estivesse sobrando
E há vozes, malditas vozes sussurrando aos ouvidos.

Ruídos de pensamentos,
derivados dos ermos lapsos subconscientes.
São alfinetadas cerebrais
ou apenas o volume de informações
que o próprio cérebro despeja sobre neurônios tranquilos?

Há pecados nos ruidos,
que o punem como lembranças amargas,
porém de onde? De quem?
Não há distinção, mas sim, há um culpado.

Alguém avisou, o mundo avisou,
o mundo segue e você fica,
porque é bom ficar,
há um prazer secreto em desgarrar-se do bando.

Os sonhos não se tecem,
e a angústia aumenta.
O culpado se esconde das decisões tomadas,
dos dias que se deixou levar,
e a batalha toma força,
os ruidos aumentam,
o vazio é cheio de barulhos,
mas não vai passar.

Não vai passar...
não vai ...
não ...
...

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Surpreenda-me

É como deja-vu
olhar aos olhos de alguém
decifrar-lhes pensamentos, motivações, anseios
projetar-lhes atitudes, repostas, desvios...

E se por simpatia ou silhueta agradável
espera-se o melhor de tal pessoa,
mas creia: o pior há de acontecer

Prazer amargo em vencer o desafio
e retornar do prazer da idealização
à mera realidade ordinária

terça-feira, 4 de maio de 2010

Entrega

Desamparado do meu próprio sonho
Que insiste em viver a vida alheia
E quis se agarrar aos teus caprichos
Entregando o livre arbítrio à prisão dos teus anseios

Alterno entre a servidão e independência
Porém nada se põe suficientemente forte
Para desatar os nós de tais laços
Aos quais me submeto com alegria ingênua

E ao verem esse espírito desgarrado
Questionam a natureza do trato
Afinal, para quem se dedica tanto:
ao amor ou ao ser amado?

Mas se amor presume entrega
Não deve haver cautela
Entrego tudo o que posso, sem medo de errar
E meus erros os entrego da mesma forma

Porque mesmo sendo teu refém
Não há como acertar sempre
E é algo que a ninguém cabe entender:

Hoje dependo de ti,
mas amanhã, dependerás de mim